sábado, 20 de fevereiro de 2010

Referência para o indie rock

Midsummer Madness completa 21 anos de serviços prestados a música brasileira

por Rafael Martins

A carência de espaço para música independente no Brasil é notória, especialmente o rock que não é um gênero de massa. Mas se para muitos este fato é uma dificuldade, para Rodrigo Lariú, idealizador do selo Midsummer Madness [que teve início como um fanzine], isto significa oportunidade. Assim, em 2010 o selo carioca completa 21 anos, uma maioridade de serviços prestados a música brasileira ostentando o título de referência para o indie rock.

Ao contrário de segmentos mais populares da indústria fonográfica, o cenário de música underground ainda é cercado pela áurea de arte legítima, que não fora corrompida pelo mercado. Exageros à parte, bandas e selos que abastecem esse segmento, ainda que pequeno, possui consumidores fieis e ávidos por novidades.

Com este prestígio Lariú vem desde o fim dos anos 80 descobrindo e lançando novas bandas pelo seu selo Midsummer Madness. Um trabalho de certa forma artesanal, pois cada lançamento tem um tratamento único e também heróico, afinal a recompensa financeira nem sempre é satisfatória.

“Nossa preocupação nº 01 é com a boa música. Se a banda será sucesso de público e crítica ou terá muitos downloads, pra gente é secundário, ou melhor, é consequência” diz Rodrigo. Com esse espírito, bandas como a Pelvs do Rio de Janeiro, a campineira e finada Astromato e The Gilbertos do jornalista Thomas Pappon, ex-integrante do Fellini, tiveram material lançado e distribuído em território nacional.

Todas as mudanças na forma de comercializar a música que o mercado fonográfico vem enfrentando nas últimas duas décadas atingiram também o selo. De início eram lançados apenas fitas-demo (fitas cassete muitas vezes com baixa qualidade sonora), evoluindo para o CD e SMD (semi metálica disco, formato semelhante ao CD, porém com custo inferior) e agora com faixas disponibilisadas em MP3 no site http://www.mmrecords.com.br/ para download.

Ainda sim isto não parece preocupar Lariú que afirma: “Nós vamos melhorar cada vez mais nosso site, testar novas plataformas e maneiras on line de abastecê-lo, para melhorar cada vez mais a comunicação com nosso público que está 99% na internet. Por enquanto, continuaremos a lançar CDs e SMDs e voltaremos a lançar vinil. Até o momento em que isso se tornar absolutamente inviável”.

Foto: site Midsummer Madness

Banda Pelvs: um dos grandes sucessos do indie rock nacional

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

20 anos de The Ride EP + Creation + Telescopes + Shoegazing

Oh, Creation! Tão amada e tão odiada. Mas por meio de seus meios - justificados ou não - nossos ouvidos conseguiram ganhar diversos carinhos em formas de guitarras distorcidas. Foram algumas bandas do movimento shoegaze (ou shoegazing, como preferir) e que neste mês (janeiro/2010) é completado 20 anos de nascimento de um dos mais importantes discos de sua história: The Ride EP (pelo selo Our Price; a Creation aconteceria mais tarde).

Para comemorar o fato, uma reunião que muitos não acreditavam ser possível [César, estamos quase fazendo ressuscitá-los, não? rs]: Steve, Andy, Marky e Loz estiveram juntos e deram uma entrevista para a Nightshift - Oxford´s Music Magazine.

"O debut da gravação das quatro primeiras músicas do Ride em EP abriram as portas musicais de Oxford para uma outra dimensaão. Sem o sucesso desse EP e da banda as histórias de Radiohead, Supergrass, Foals e outras seriam bem diferentes", comenta os editores da revista.

Sempre digo que se o Ride não tivesse parado suas atividades, teria se tornado a maior banda de todos os tempos.

Assim, deixo aqui meu recado... como um colega, amigo, conhecido (sei lá...) escreveu no guestbook da banda:
"O Ride é uma das coisas mais bonitas que já ouvi".

Ou como uma outra pessoa escreveu no site da Creation:
"Thanks, Ride, for all you were".

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E por falar em movimento shoegaze, o Zé Antônio (ex-Pin Ups), em seu Pub Blog (MTV) descreve um texto muito interessante para quem que conhecer um pouco mais sobre este estilo de música. Ele deixa lá uma listinha de Cds, que considero alguns indispensáveis na vida de qualquer pessoa, e que reproduzo aqui:

"Por falar em CDs, fiz uma listinha de 10 álbuns que, na minha opinião, ajudam a entender melhor essa história:

My Bloody Valentine: Loveless (1991 – Creation Records)
Raise : Swervedriver (1991 – Creation Records/A&M))
Spiritualized: Lazer Guided Melodies (1992 - Dedicated)
Loop: Heaven's End (1987 - Head)
Ride: Nowhere (1990 – Creation Records)
Spectrum: Soul Kiss (1991 - BMG)
Spooky : Lush (1992 – 4AD)
Everything Alright Forever : The Boo Radleys (1992 – Creation Records))
Whirpool : Chapterhouse (1991 - Dedicated)
Souvlaki : Slowdive (1993 – Creation Records)"

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E por falar em Creation e shoegazers, abaixo seguem pequenos trechos de uma entrevista feita em 2003 com Stephen Lawrie, vocalista do Telescopes. A banda estava retornando suas atividades na época e Stephen conta o porquê da parada anterior:

By Marcia Raele

Perfect Needle e muitas outras músicas dos Telescopes fizeram uma trilha sonora de alguns momentos perfeitos da vida de muitas pessoas no início de 90. É difícil explicar como alguns timbres de guitarra um pouco mais distorcidos ou um pouco mais altos podem fazer com uma pessoa. [...]

O que você acha de dar entrevista a um fanzine?
Fanzines são legais, eu costuma escrever um, e então e eu fico sempre feliz de fazer entrevista com eles. Eles costumam ser bem mais honestos que o NME [New Music Express].

Você já fez algum contato com fãs brasileiros?
Nós recebemos um bocado de cartas e e-mails. É sempre bom escutá-los. E é bom saber que nossa música pode alcançar pessoas muito longe.

Quais são as inspirações para as músicas? As letras são baseadas em experiências pessoais?
Inspiração é um estado de espírito para nós. Pode ser em qualquer lugar ou em nenhum lugar. Depende da maneira como estamos nos sentindo.

The Telescopes ficaram seis anos parados. Por que esta parada e como foi o retorno? Conte como tem sido a recepção de “Third Wave” [o único trabalho após dez anos na época/2003]?
Eu coloquei o Telescopes na espera porque haviam muitas coisas no caminho e também muitas pessoas interferindo no grupo. A Creation queria hits, eu queria fazer música que tocassem mais a fundo as pessoas. Levou um longo tempo até eu criar um ambiente onde conseguisse atingir isto. “Third Wave” é nosso primeiro álbum em muito, muito tempo. Nós ficamos realmente surpresos pela reação das pessoas em relação a ele. Elas têm sido legais. Nós honestamente não sabíamos como as pessoas reagiriam.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dias Estranhos

Comprei uma blusa listrada... uva e branca. Passei o ano novo em casa, quieta, apesar dos estrondos barulhentos dos fogos de artifício...não que não goste deles. Mas prefiro o barulho das minhas guitarras ensurdecedoras zumbindo dentro de meus ouvidos.

E os dias passaram, passaram, passaram... mais uma chuva caiu... mais alguns corpos se foram. E o tempo novo que deveria trazer esperança, traz choro e lamentação. Aqui também. Não saber o que fazer é algo comum em muitos lugares. Como diria meu colega Armando, o Vento Mudou de Direção...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Londres

incrivelmente isso foi escrito há exato um ano 9/12/2008 e agora o publico... para exorcizar

...quando olho pra uma vitrine em londres e vejo a essência da cultura européia estampada nas paredes, e tudo o que essa figura pode provocar dentro de uma mente "brilhante", eu sinto vontade de chorar. eu queria poder estar lá e conversar com alguém ao meu lado que pudesse discorrer com propriedade sobre algumas nuances que essa cultura pode nos trazer... essa vontade de chorar é porque imagino algumas pessoas que poderiam estar ali ao meu lado (poucas - hoje precisamanete só gostaria que fosse uma), mas sei que não estarão. .. e que tudo não passa de mais uma ilusão em meu cotidiano... aquele sombrio e falso que criei.

sábado, 5 de dezembro de 2009

mission

eu sou uma filha dos anos 80, nascida nos 70 e crescida ouvindo os anjos dos 80.. ela dança sobre a lua...com seus cabelos compridos, emaranhados com suas roupas pretas ou de seda com mangas bufantes... com seu chapéu e óculos escuros, correntes entrelaçando seus braços, com seu pescoço à mostra... com suas veias assumidamente latejantes... amando...meus cabelos compridos... onde eles estão? meus cachos e minha corrente com pinjente indígena. a lua... o lobo... o sonho... a alma pedindo clemência, um abraço e uma salvação. severina.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Historinhas de Faith No More

Esta semana foi um aperto no coração atrás do outro.. Pin Ups na sexta (não fui), Sonic Youth, Primal Scream, Faith no More, Janes Adiction, etc, no sábado (não fui tbm). Todos eles já fui algum dia, alguns (muitos) anos atrás. Faith No More, duas vezes... a primeira, Rock´N´Rio II, Rio de Janeiro, 1991. Eu, então com 15 anos, tive que pedir autorização dos meus pais para viajar ao Rio de Janeiro - Vera, Stéphanie, serei eternamente grata a vocês por isso. "O que aquele ser saltitando no palco??!!". Óbvio, minha noção de shows de rock mudou muito após esse dia, acho que 20 de janeiro. Um tempo depois, com a febre FNM devidamente instalada no Brasil, lá estava eu novamente na fila do Olimpia (ou seria Olympia?). Não tão bom, quanto o primeiro mas devidamente bom. Mas ver ao show não bastava. Era preciso vê-los, falar com eles, pedir um autógrafo talvez... hehehe. E lá estávamos nós, eu, Stéphanie e Dani, saindo da Mooca de ônibus em direção ao hotel cinco estrelas onde eles estavam hospedados. Ficamos lá... lindas e saltintantes de ansiedade na porta esperando por uma luz no fim do túnel... e ela surgiu quando as portas da frente se abriram e de lá saíram todos os integrantes do então fenômeno FNM. Mike Patton, um tanto quanto blasé, não deu muita bola para as dezenas de fãs delirantes (nós, inclusive), que estavam à frente dele. Mas os outros foram bem simpáticos... conversaram, deram beijinhos, sorriram de verdade (baterista) comentando que estavam de saída, que iriam pegar um avião para o Rio de Janeiro. Grande dia... com certeza.. um inesquecível. Tudo bem que não pude vê-los novamente neste último fim de semana...os tempos são outros e a realidade idem... mas guardo esta lembrança e seus autógrafos como relíquia. É verdade... Eu sou fã de Faith No More, podem falar o que quiserem.
P.S.: e de Pin Ups, Sonic Youth e Janes Adiction também... :)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Yo La Tengo | I can hear the heart beating as one

Isto foi escrito já há alguns dias... mas segue agora por aqui.
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Grata surpresa hoje, ao abrir meu email e ver uma mensagem de meu irmão com o assunto "Vamos?". Parecia um flashback de um email do André Biaggio (SuperDrive), quando ia fazer sua excursão pelo Nordeste e tocaria com o Vamos nordestino.

Logo pensei que seria mais alguma das piadas deste meu irmão que costuma espalhar entre suas correntes de amigos. Mas não... Era um convite para o show do Yo La Tengo em Variety Playhouse ("Alana" City), que aconteceria no dia 19 de setembro.

A ligação entre irmãos (mesmo à distância) é eterna. Algumas lembranças parecem que também são. O rock é eterno e nos deixa eternos também entre nossos queridos.

Respondi ao email, dizendo “você passa em casa ou quer que te pegue aí na sua?”... sonhando.

Yo La Tengo foi (e é) uma grata e maravilhosa e calma surpresa. A que precisava após um carro quebrado no meio na rodovia D. Pedro I (esta é a vida real). E é agora minha trilha sonora neste momento de paz.

“I see a bech.. the waves pounding against the shore. A beautiful girl, her heart beating against her breast. I see a tall, handsome man. Now I see It! Now I see It! I can hear the roar of the Ocean. And finally I can hear the Music of love. I can hear the heart beating as one.”

P.S.: Dia 17 de outubro, pra quem estiver por lá tem Dinosaur Jr.