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sábado, 20 de março de 2010

Shoegaze por Rafael Martins (duplamente)

Rafael Martins, meu fiel escudeiro de Donezine, em sua vida acadêmica precisou fazer um exercício de radiojornalismo, em que ele deveria entrevistar uma colega de classe e vice-versa. A idéia seria ele falar do movimento Shoegaze e a colega dele de yorkshire. Algo do tipo "falar daquilo que você conhece" (pelo menos um pouco). E ele me enviou, perguntando minha opinião... Porque na verdade, na verdade... quem fez todas as perguntas foi ele próprio. E o mesmo também respondeu às perguntas.
Ao enviar a tal entrevista comentou: "Foi um exercicio de rádio jornalismo...Um aluno entrevistando o outro...uma menina me entrevistou como se eu fosse um especialista em shoegaze ...e eu entrevistei essa menina, uma especialista em...yorkshire (?!?!?!)...heheheeh...Mas e aí minha definição de shoegaze está correta????hehehehe".

É, Rafa, a definição está muito boa. E a entrevista com você, feita por você mesmo (rss) também. Aqui segue o resultado "virtual".

Com vocês, uma definição de shoegaze por Rafael Martins duplamente (na íntegra sem nenhuma revisão, intervenção ou corte):

BOM, PARA COMEÇAR RAFAEL, O QUE É SHOEGAZE?

R - SHOEGAZE É UM ESTILO MUSICAL QUE SURGIU NA GRÃ BRETANHA NA VIRADA DOS ANOS 80 PARA OS 90. EM TERMOS DE SOM, SÃO BANDAS COM INFLUÊNCIA DO ROCK PSICODÉLICO DOS ANOS 60 COMO THE DOORS, VELVET UNDERGROUND, BEATLES, PINK FLOYD, ENTRE OUTRAS. PORÉM, COM AS GUITARRAS MUITO MAIS ALTAS E DISTORCIAS, O BARULHO CHEGA À UM PONTO QUE NÃO DÁ PARA DEFINIR UM INSTRUMENTO DO OUTRO E AO CONTRARIO DA MÚSICA POP, OS VOCAIS NÃO FICAM A FRENTE DO INSTRUMENTAL E GERALMENTE SÃO MUITO BAIXOS E ESTÉREOS, O QUE CONTRASTA COM TODA BARULHEIRA PRODUZIDA PELOS INSTRUMENTOS.


NUMA TRADUÇÃO LIVRE PARA O PORTUGUÊS, SHOEGAZE SIGNIFICA ALGO COMO “CONTEMPLAR AS PONTAS DO SAPATO” OU “OLHAR PARA AS PONTAS DOS PÉS”...NÃO É UM NOME ESTRANHO PARA UM ESTILO MUSICAL?

R - DE FATO É, MAS TEM UM POR QUE. ORIGINALMENTE O TERMO FOI UTILIZADO PARA DESCREVER UM SHOW DA BANDA MOOSE EM QUE O VOCALISTA RUSSEL YATES COLOCOU AS LETRAS DAS MÚSICAS GRUDADAS NO CHÃO ENQUANTO O GUITARRISTA K.J. MCKILLOP, QUE POSSUIA VARIOS PEDAIS DE DISTORÇÃO FICAVARAM BOA PARTE DO SHOW OLHANDO PARA BAIXO. O QUE APARENTEMENTE DESMONSTRAVA CERTA INDIFERENÇA DE BANDA COM O PÚBLICO. LOGO OS SEMANÁRIOS BRITÂNICOS COMO NEW MUSIC EXPRESS E MELODY MAKER COMEÇARAM A USAR O TERMO SHOEGAZE PARA DESCREVER A NOVA GERAÇÃO DE BANDA QUE SURGIA NA ÉPOCA, E A PARTIR DAÍ ESSA ATITUDE FOI ENCARADA COMO POSTURA DE PALCO PELAS DEMAIS BANDAS


O ENGRAÇADO É QUE TAMBÉM EXISTEM OUTROS TERMOS PARA DEFINIR O ESTILO...

R - SIM. TALVEZ O MAIS ESTRANHO DE TODOS SEJA THE SCENE THAT CELEBRATES ITSELF OU “A CENA QUE CELEBRA A SI MESMA”, ISSO PORQUE HAVIA CERTA UNIÃO ENTRE AS BANDAS, ALÉM DE UMAS SEREM O PÚBLICO DE OUTRAS. MAS HÁ A EXPRESSÃO BAGGY PARA AS BANDAS MAIS DANÇANTES E CRUSTIES PARA AS MAIS PUNK, MAS TALVEZ OS MAIS GÉNERICOS SEJAM INDIE ROCK E NOISE POP. MAS O PÚBLICO AINDA PREFERE SHOGAZE OU SHOEGAZING.


É INTERESSANTE TAMBÉM NOTAR QUE NA CENA SHOEGAZING, NOISE POP...QUE SEJA...EXISTEM MUITAS MULHERES EM BANDAS. HÁ QUE SE DEVE ISSO?

R - BOM, NÃO HÁ UMA RAZÃO ESPECIFICA QUE EXPLIQUE ISSO. A PARTIR DO PUNK ROCK NO FINAL DOS ANOS SETENTA COMEÇOU A SER MAIS COMUM VER BANDAS COM GAROTAS E AO LONGO DOS ANOS OITENTA ISSO CONTINUOU DENTRO DO ROCK ALTERNATIVO, SEJA NOS ESTADOS UNIDOS OU NA GRÃ BRETANHA. OUTRO FATOR QUE TALVEZ EXPLIQUE ISSO, É QUE NÃO SÓ O SHOEGAZE, MAS COMO NA MAIORIA DAS VERTENTES DO ROCK ALTERNATIVO, AS BANDAS TÊM SUA ORIGEM EM UNIVERSIDADES, OU SEJA, UMA CLASSE SUPOSTAMENTE MAIS INSTRUÍDA QUE RECONHECE O VALOR DA MULHER QUANTO CIDADÃ. MAS AO CONTRARIO, POR EXEMPLO, DO MOVIMENTO RIOT GRRL, QUE ROLAVA NA MESMA ÉPOCA NOS ESTADOS UNIDOS, AS BANDAS SHOEGAZE NÃO TINHAM UMA POSTURA POLÍTICA.


VOCÊ PODE CITAR ALGUMAS...

R - E SÃO VÁRIAS AS BANDAS COM GAROTAS: MY BLOODY VALENTINE, SLOWDIVE, LUSH, BLEACH, SILVERFISH, CURVE, ENTRE OUTRAS.

POR QUE A MAIORIA DAS BANDAS TEM O NOME CURTO?

R - É OUTRA CARACTERISTICA DO ESTILO QUE NÃO POSSUÍ UM PORQUE PROFUNDO. É APENAS UMA QUESTÃO ESTÉTICA. AS PRIMEIRAS BANDAS A SE DESTACAREM COMO MOOSE, RIDE, VERVE, LUSH POSSIAM NOMES CURTOS E AS BANDAS QUE SURGIRAM POSTERIORMENTE APENAS SEGUIRAM ISSO COMO MODA.


QUAIS SÃO OS DISCOS ESSENCIAS PARA SE ENTENDER O ESTILO?

R - ANTES DE ENTENDER O SHOEGAZE COMO ESTILO MUSICAL, É INTERESSANTE VER O QUE INFLUENCIOU ESSAS BANDAS. SE PENSARMOS NOS AOS SESSENTA PODEMOS CITAR O PRIMEIRO DISCO DO VELVET UNDERGOUND, O REVOLVER DOS BEATLES, O PRIMEIRO DO THE DOORS E O THE PIPER AT THE GATES OS DAWN DO PINK FLOYD. OUTROS DISCOS IMPORTANTES PARA A INFLUENCIA DO GÊNERO, MAS JÁ NOS ANOS OITENTA SÃO O TREASURE DO COCTEAU TWINS, O PYCHO CANDY DO JESUS AND MARY CHAIN E O ISN´T ANYTHING DO MY BLOOD VALENTINE. JÁ DIRETAMENTE SOBRE O SHOEGAZE, O MY BLOODY VALENTINE COM O LOVELESS E O JESUS AND MARY CHAIN COM O HONEY´S DEAD TAMBÉM SÃO REFERENCIAS, ALÉM DO NOWHERE DO RIDE, O JUST FOR A DAY DO SLOWDIVE, EVERYTHING´S ALRIGHT FOREVER DO BOO RADLEY E O SPOOKY DO LUSH.


AINDA QUE ESSA CENA MUSICAL TENHA TIDO SEU AUGE EM 91,92,93, ANTES DA METADE DAQUELA DECADA JÁ NÃO SE OUVIA FALAR NELA. O ACONTECEU?

R - É PRECISO QUE SE ENTENDA QUE O MEIO MUSICAL ALÉM DE ARTE, É UM MEIO DE ENTRETENIMENTO E POR ISSO UMA ATIVIDADE COMERCIAL. AINDA QUE SE TRATE DE UM ESTILO QUE SE DISTANCIE DE OUTROS GENEROS VOLTADO PARA GRANDE MASSA, O ARTISTA NÃO PRODUZ UM DISCO APENAS PARA EXPRESSAR SEUS SENTIMENTOS E OPINIÕES, MAS UM PRODUTO PARA SER COMERCIALIZADO. ASSIM, DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO O MERCADO VAI SE ADEQUANDO AS TENDENCIAS. ENTÃO, NOS ANOS 40 TINHAMOS O BEBOP, NOS ANOS CINQUENTA O ROCK N´ROLL, NOS ANOS SESSENTA O POWERFLOWER, NOS ANOS SETENTA O PUNK ROCK, NOS OITENTA O POST PUNK, O HARDCORE, NOS NOVENTA O SHOEGAZE E TAMBÉM O GRUNGE E NO SÉCULO VINTE TEMOS O CHAMADO NOVO ROCK E O EMO.
MAS MAIS IMPORTANTE É PERCEBER QUE UM ESTILO NÃO ACABA SIMPLESMENTE POR QUE NÃO ESTÁ MAIS NA MODA.


INCLUSIVE HOJE TEMOS O NU GAZE...

ISSO, E QUE NA VERDADE NÃO É NADA MAIS DO QUE BANDAS QUE CRESCERAM OUVINDO AS BANDAS NO INICIO DOS ANOS NOVENTA.


MAS AGORA O ESTILO MAIS AMPLO?

R - ESTÁ MAIS AMPLO NO SENTIDO QUE AS BANDAS HOJE NÃO VÊEM APENAS DA GRÃ BRETANHA. TEM SURGIDO MUITA BANDA BOA DE NOVA YORK COMO A PLACE TO BURY STRANGERS E CRYSTALS STILTS . O GLISS DE LOS ANGELES. E TAMBÉM DA GRÃ BRETANHA, COMO OS IRLANDESES DO SWEET JANE. MAS PRINCIPALMENTE DE OUTROS LUGARES DO MUNDO COMO, A POLONESA SALUMINESI., DOUGLAS HEART DA SUECIA. ASALTO AL PARQUE ZOOLOGICO DA ARGENTINA. O THE SOUNDSCAPES, QUE UMA BANDA PAULISTA RADICADA EM NOVA YORK E O RADIARE AQUI DE CAMPINAS. FORA JAPÃO, FILIPINAS, MEXICO.
MAS ACIMA DE TUDO O PÚBLICO PRECISA ENTENDER QUE ESSE RÓTULOS: INDIE ROCK, SHOEGAZE, GRUNGE E ATÉ EMO, SÃO UMA FORMA DO JORNALISTA DESCREVER UM DETERMINADO ESTILO MUSICAL E QUE ESSES TERMOS NA VERDADA NÃO SIGNIFICAM NADA.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

20 anos de The Ride EP + Creation + Telescopes + Shoegazing

Oh, Creation! Tão amada e tão odiada. Mas por meio de seus meios - justificados ou não - nossos ouvidos conseguiram ganhar diversos carinhos em formas de guitarras distorcidas. Foram algumas bandas do movimento shoegaze (ou shoegazing, como preferir) e que neste mês (janeiro/2010) é completado 20 anos de nascimento de um dos mais importantes discos de sua história: The Ride EP (pelo selo Our Price; a Creation aconteceria mais tarde).

Para comemorar o fato, uma reunião que muitos não acreditavam ser possível [César, estamos quase fazendo ressuscitá-los, não? rs]: Steve, Andy, Marky e Loz estiveram juntos e deram uma entrevista para a Nightshift - Oxford´s Music Magazine.

"O debut da gravação das quatro primeiras músicas do Ride em EP abriram as portas musicais de Oxford para uma outra dimensaão. Sem o sucesso desse EP e da banda as histórias de Radiohead, Supergrass, Foals e outras seriam bem diferentes", comenta os editores da revista.

Sempre digo que se o Ride não tivesse parado suas atividades, teria se tornado a maior banda de todos os tempos.

Assim, deixo aqui meu recado... como um colega, amigo, conhecido (sei lá...) escreveu no guestbook da banda:
"O Ride é uma das coisas mais bonitas que já ouvi".

Ou como uma outra pessoa escreveu no site da Creation:
"Thanks, Ride, for all you were".

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E por falar em movimento shoegaze, o Zé Antônio (ex-Pin Ups), em seu Pub Blog (MTV) descreve um texto muito interessante para quem que conhecer um pouco mais sobre este estilo de música. Ele deixa lá uma listinha de Cds, que considero alguns indispensáveis na vida de qualquer pessoa, e que reproduzo aqui:

"Por falar em CDs, fiz uma listinha de 10 álbuns que, na minha opinião, ajudam a entender melhor essa história:

My Bloody Valentine: Loveless (1991 – Creation Records)
Raise : Swervedriver (1991 – Creation Records/A&M))
Spiritualized: Lazer Guided Melodies (1992 - Dedicated)
Loop: Heaven's End (1987 - Head)
Ride: Nowhere (1990 – Creation Records)
Spectrum: Soul Kiss (1991 - BMG)
Spooky : Lush (1992 – 4AD)
Everything Alright Forever : The Boo Radleys (1992 – Creation Records))
Whirpool : Chapterhouse (1991 - Dedicated)
Souvlaki : Slowdive (1993 – Creation Records)"

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E por falar em Creation e shoegazers, abaixo seguem pequenos trechos de uma entrevista feita em 2003 com Stephen Lawrie, vocalista do Telescopes. A banda estava retornando suas atividades na época e Stephen conta o porquê da parada anterior:

By Marcia Raele

Perfect Needle e muitas outras músicas dos Telescopes fizeram uma trilha sonora de alguns momentos perfeitos da vida de muitas pessoas no início de 90. É difícil explicar como alguns timbres de guitarra um pouco mais distorcidos ou um pouco mais altos podem fazer com uma pessoa. [...]

O que você acha de dar entrevista a um fanzine?
Fanzines são legais, eu costuma escrever um, e então e eu fico sempre feliz de fazer entrevista com eles. Eles costumam ser bem mais honestos que o NME [New Music Express].

Você já fez algum contato com fãs brasileiros?
Nós recebemos um bocado de cartas e e-mails. É sempre bom escutá-los. E é bom saber que nossa música pode alcançar pessoas muito longe.

Quais são as inspirações para as músicas? As letras são baseadas em experiências pessoais?
Inspiração é um estado de espírito para nós. Pode ser em qualquer lugar ou em nenhum lugar. Depende da maneira como estamos nos sentindo.

The Telescopes ficaram seis anos parados. Por que esta parada e como foi o retorno? Conte como tem sido a recepção de “Third Wave” [o único trabalho após dez anos na época/2003]?
Eu coloquei o Telescopes na espera porque haviam muitas coisas no caminho e também muitas pessoas interferindo no grupo. A Creation queria hits, eu queria fazer música que tocassem mais a fundo as pessoas. Levou um longo tempo até eu criar um ambiente onde conseguisse atingir isto. “Third Wave” é nosso primeiro álbum em muito, muito tempo. Nós ficamos realmente surpresos pela reação das pessoas em relação a ele. Elas têm sido legais. Nós honestamente não sabíamos como as pessoas reagiriam.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Wry em Campinas - Bar do Zé | Palmas para eles!

Desculpem-me os demais grupos de rock do Brasil, alguns que amo tanto, mas não há nada hoje sendo produzido por uma banda brasileira que possa ser comparado à qualidade musical e de produção artística do Wry.

Voltando às origens, de seus primeiros anos de estrada, o Wry está a um passo, ou melhor dizendo, com os dois pés fincados no shoegaze o que lhe faz merecer palmas e mais palmas. Palmas por encontrar a linha musical da banda e a origem de sua existência - quando eu os vi pela primeira vez, eles tocavam com suas camisas de listrinhas -; palmas por atingirem uma qualidade musical invejável.

O Wry não é apenas uma banda do Brasil que foi tocar em Londres. Eles foram um dos primeiros que tiveram coragem de ir com a cara e coragem para lá, permanecendo por sete anos. E se não atingiram o tal do sucesso mainstream almejado por alguns, conquistaram experiência suficiente para lapidar seu som com produtores e influências do melhor do rock britânico.

Por isso, até havia pensando em começar este texto com o título "Quem não tem Ride, caça com Wry", fazendo uma certa brincadeira com o ditado popular, pois a sensação que tive no show da banda sorocabana no último sábado em Campinas (15/08) foi essa, de que estava num show do Ride. Mas isso soou de certa forma depreciativo para o que realmente queria dizer. Como disse anteriormente, eles não são mais uma banda que foi tocar em Londres... Hoje eles são uma banda do mundo.

Quem tiver o privilégio de assistir ao show deles vai ouvir algo ensurressedor com Mário gigante no palco, cantando e tocando como um rockstar, conversando com a plateia feliz da vida por estar ali e ao mesmo tempo entrando em transe quando os timbres das guitarras atingem um efeito sonoro que pode ser confundido com uma viagem intergalática.

Com o mesmo efeito Luciano dedilha com delicadeza as cordas de sua guitarra, que expõem eterna doçura em detalhes sonoros que podem fazer uma pessoa sentir a mais profunda das dores da alma ou do coração... [ Aqui peço uma desculpa especial a Luciano, por nunca ter prestado muita atenção em sua forma de tocar, e, só neste dia, me deparei com um guitarrista preciso em cada nota ] ...E ele demonstra essa dor quando fecha seus olhos e sente cada nota que sai por meio de seus movimentos, sejam eles com uma palheta, sejam com as cerdas de um arco de violino (!!!).

Chokito, o baixista da banda, não estava presente - ficou resolvendo algumas pendências em Londres - mas foi substituído à altura por W27, que, não diferente dos demais, estava em plena catarse.

E o show não teria sido completo se Renato Bizar não estivesse de volta à banda. O mais insandecido dos bateristas estava lá com toda sua força fazendo o complemento, de certa forma antagônico e irônico, às músicas feitas para balançar a cabeça olhando para o chão, viajar pelo espaço e amar com muita paixão. A great heart experiencie...

Vejam aqui um momento do show gravado Por Rafael Martins.

Entrevista com Wry - publicada em abril de 2009.

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O que é tentar tocar em Londres por Kid Vinil

Em 2001 ou 2002 (já não me lembro ao certo) fiz uma entrevista com Kid Vinil pro DoneZine (na época produzido em papel) e entre as perguntas estavam as seguintes:

O Wry está na Inglaterra e tem outras bandas do Brasil também por lá. O que vocês acham de banda brasileira tentar um mercado lá fora?
Kid Vinil - Não é fácil. Eu sei a dificuldade que eles estão enfrentando. Se eles caem nas graças de algum crítico, de algum jornal tipo New Music Express tudo bem, aí a vida muda. Até cair nas graças e no “hype”, isso é muito difícil. Acho que a gente poderia dar o exemplo do Maria Angélica... o Fernando Naporano foi pra lá tentar e não conseguiu cair nas graças de ninguém.

Mas aqui no Brasil eles até tinham alguma “graça”, pro público brasileiro eles eram bem conceituados na época, não?
Kid Vinil – É exatamente. É esse que é o problema, se eles ficarem todo um tempo e não conseguirem conquistar ninguém, não adianta tocar em pub ou qualquer lugar. Esse circuito não chega a lugar nenhum. Tem que sair no New Music Express, tem que conhecer os jornais... que nem o Drugstore... a Isabel Monteiro caiu nas graças dos caras. Eu lembro que ela lançou o primeiro compacto e eu vi no Melody Maker “Compacto da Semana”. Nossa! Uma brasileira! Eu fiquei entusiasmadíssimo. “Nossa! Meu deus do céu! Uma brasileira saindo como compacto da semana!”. Eu fiquei desesperado querendo saber o que é que era, e o Fernando Naporano, que estava morando lá, me mandou o disco. Aí todo disco que ela lançava era disco da semana, disco do mês... É incrível que a crítica na época abraçou a banda e isso a ajudou crescer. Mas se isso não tivesse acontecido, nada teria acontecido, como muitas bandas foram para lá e nada aconteceu. O problema é cair nas graças. É uma puta máfia, como é aqui também. Mas a tentativa é válida. Vale a experiência. Tomara que eles consigam cair na graça desses jornalistas, porque é a única maneira de você conseguir “sobreviver” lá.