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sexta-feira, 4 de março de 2011

Entrevista com Ian Mackaye (Fugazi)

Ian Mackaye, na Dischord Records - Foto: Pat Grahm

Download de shows, Facebook, futuro...
Por Márcia Raele

A tão aguardada disponibilidade dos shows do Fugazi para download deve acontecer em breve. Conforme conta o vocalista e guitarrista da banda, Ian Mackaye (que também toca no The Evens com sua esposa Amy Farina), o projeto possui mais de 900 (!!) shows e, devido a esta enorme quantidade de material, o lançamento deva acontecer entre o próximo verão (americano) e o resto deste ano. “Tivemos que converter, masterizar e editar quase 1000 shows!”, enfatiza.
Para saber mais detalhes do projeto, que não está sendo nada barato para concretizá-lo [e por isso, provavelmente, seja cobrado para poder baixá-los], entrevistamos Ian Mackaye via e-mail (uma exceção dada gentilmente por ele, já que não costuma dar entrevistas por este meio).
Mackaye conta aqui como está esse processo, o que pensa sobre o Facebook, download de músicas e sobre a tão especulada volta do Fugazi.

Por que o Fugazi resolveu lançar seus arquivos ao vivo para download via internet?
Temos um grande número de gravações de shows e seria insano fazer cópias de cada um. A internet e o áudio digital tornou isso possível, de uma forma até inimaginável. Conseguimos editar até shows da época em começamos a gravá-los em 1990.

Serão apenas arquivos de vídeo ou de músicas também?
O projeto começará apenas com as performances ao vivo, mas acredito que em algum momento nós teremos que considerar também o lançamento de algumas demos antigas. Vai depender do interesse e reação das pessoas.


Qual sua opinião sobre disponiblizar as músicas para download na internet? E o que você acha sobre o futuro da indústria fonográfica com isso?
No geral eu sou a favor do compartilhamento de arquivos, mas em algum momento as pessoas terão que decidir se eles vão querer ouvir música dessa forma. Se quiserem, então elas terão que estar preparadas para ajudar a dividir os custos de estúdio se quiserem que as bandas continuem/sobrevivam. Elas terão que estar preparados para dividir os custos para a existência de uma banda.

Esta forma de se obter música (download free) causou algum impacto na Dischord Records*?
Acredito que sim, mas sinceramente há muito pouco que possa fazer sobre isso.

E o que você pensa sobre mídias sociais, como Facebook, Twitter, etc. Recentemente você me disse que a comunidade do Fugazi e da Dischord no Facebook, por exemplo, não foi criada por vocês. Você gosta deste tipo de mídia?
Eu não gosto do fato de que se alguém não estiver registrado nesses serviços, ela não terá acesso a certas informações. O fato de eu não ser um membro do Facebook, por exemplo, me faz sentir excluído de uma série de eventos por eu não receber os convites por meio da rede. Algo não está certo nisso.

E sobre o Fugazi? Está ainda totalmente parado ou vocês estão trabalhando em algum projeto especial ou com outras bandas paralelas? [com a notícia do lançamento dos shows do Fugazi para download rolou especulações [esperança] de que o Fugazi voltaria à ativa]
Amy e eu continuamos tocando no The Evens, mas não fizemos nenhuma tour nos últimos anos, porque tivemos um filho em 2008, e logo quando voltaríamos à ativa no verão do ano passado, nós tivemos alguns falecimentos em nossas famílias o que nos manteve em casa. Esperamos começar as viagens novamente este ano. Vamos aguardar... Já o Fugazi continua em seu indefinido hiato, por isso não há como dizer se iremos tocar novamente ou não. Estamos em constante contato. Estive com Brendan ontem à noite, e amanhã [entrevista dada dia 02 de março] estarei com Guy [Picciotto] em uma exibição de Instrument Video aqui DC . Nós continuamos conectados.

*Ian Mackaye fundou a Dischord Records ainda adolescente, em 1980, com o parceiro Jeff Nelson. A intenção original era simplesmente produzir um single para documentar sua primeira banda chamada Teen Idles. Hoje, o selo já lançou músicas de mais de 60 bandas, e mais de 160 álbuns em todos esses anos.



Fugazi Live Series
Enquanto os shows em vídeo ainda não ficam prontos, os fãs podem matar um pouco a vontade via o CD com músicas de shows que o Fugazi fez em diversos países. O material pode ser encontrado no site da Dischord tanto em forma digital como para compra do CD. Tem material de um dos primeiros shows do Fugazi no Brasil, em 1994, em Curitiba (PR).



terça-feira, 18 de maio de 2010

Messias faz show de lançamento em SP, amanhã (19/05)

Quem quiser conhecer ao vivo o trabalho solo de
Messias (vocalista da banda indie baiana brincando
de deus), pode começar pelo show de lançamento que acontece em
São Paulo (SP), amanhã (19/05), no
Studio SP.
Messias, que junto ao brincando de deus é uma das
pessoas referência dentro da história do indie rock
Brasil, foi ousado - lançou um cd triplo intitulado
"escrever-me, envelhecer-me, esquecer-me" (um
título para cada disco). Além de CD, o álbum também
poderá ser encontrado em MP3, CD,
vinil e cassete, com 32 músicas sob registro de
Creative Commons.
As composições (em português e inglês) foram formadas
a partir de paisagens sonoras e textos pessoais, mesclados
a gravações de estúdio, passagens em casa, no carro,
em bares da cidade ou via celular.
Diverso sem ser eclético, Messias faz uma tentativa pessoal:
conferir sofisticação a um coração lo-fi. Assim,
guitarras, programação, efeitos e cordas delineiam
seu trabalho atual.
Além de São Paulo, o show lançamento acontece
também em Belo Horizonte, no A Obra, dia 20/05, e
ainda em Salvador, dia 29, no Espaço Cultural da
Barroquinha.

Serviço:
São Paulo
19 maio 2010 de 21:00 a 23:00 – Studio SP

Belo Horizonte
20 maio 2010 de 18:00 a 19:00 – A Obra

Salvador
29 maio 2010 de 21:00 a 23:00 – Espaço Cultural da Barroquinha



sábado, 20 de fevereiro de 2010

Referência para o indie rock

Midsummer Madness completa 21 anos de serviços prestados a música brasileira

por Rafael Martins

A carência de espaço para música independente no Brasil é notória, especialmente o rock que não é um gênero de massa. Mas se para muitos este fato é uma dificuldade, para Rodrigo Lariú, idealizador do selo Midsummer Madness [que teve início como um fanzine], isto significa oportunidade. Assim, em 2010 o selo carioca completa 21 anos, uma maioridade de serviços prestados a música brasileira ostentando o título de referência para o indie rock.

Ao contrário de segmentos mais populares da indústria fonográfica, o cenário de música underground ainda é cercado pela áurea de arte legítima, que não fora corrompida pelo mercado. Exageros à parte, bandas e selos que abastecem esse segmento, ainda que pequeno, possui consumidores fieis e ávidos por novidades.

Com este prestígio Lariú vem desde o fim dos anos 80 descobrindo e lançando novas bandas pelo seu selo Midsummer Madness. Um trabalho de certa forma artesanal, pois cada lançamento tem um tratamento único e também heróico, afinal a recompensa financeira nem sempre é satisfatória.

“Nossa preocupação nº 01 é com a boa música. Se a banda será sucesso de público e crítica ou terá muitos downloads, pra gente é secundário, ou melhor, é consequência” diz Rodrigo. Com esse espírito, bandas como a Pelvs do Rio de Janeiro, a campineira e finada Astromato e The Gilbertos do jornalista Thomas Pappon, ex-integrante do Fellini, tiveram material lançado e distribuído em território nacional.

Todas as mudanças na forma de comercializar a música que o mercado fonográfico vem enfrentando nas últimas duas décadas atingiram também o selo. De início eram lançados apenas fitas-demo (fitas cassete muitas vezes com baixa qualidade sonora), evoluindo para o CD e SMD (semi metálica disco, formato semelhante ao CD, porém com custo inferior) e agora com faixas disponibilisadas em MP3 no site http://www.mmrecords.com.br/ para download.

Ainda sim isto não parece preocupar Lariú que afirma: “Nós vamos melhorar cada vez mais nosso site, testar novas plataformas e maneiras on line de abastecê-lo, para melhorar cada vez mais a comunicação com nosso público que está 99% na internet. Por enquanto, continuaremos a lançar CDs e SMDs e voltaremos a lançar vinil. Até o momento em que isso se tornar absolutamente inviável”.

Foto: site Midsummer Madness

Banda Pelvs: um dos grandes sucessos do indie rock nacional

domingo, 17 de maio de 2009

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Celebração

Os dois textos abaixo foram postados lá no meu myspace (www.myspace.com/donezine) em julho, mas reproduzo aqui também...


sábado, julho 26, 2008
Guitar Bands Brasileiras
Acho que estamos em período de comemoração. Lendo a notícia aí de baixo - a do National Indie Hits do Wry - me faz lembrar que há exatos 16 anos (foi de 25 para 26 de julho de 1992) eu assistia a meu primeiro show do Pin Ups, em Santos também.É um momento de saudosismo, sim. Mas talvez mais do que isso, de homenagem a um importante momento da história rock independente do Brasil. Como o Mário, frisou, importante saber os primeiros que vieram e abriram as portas para que hoje possa existir uma cena muito mais organizada e estruturada.Na mesma linha, Vagner Souza (ex-Concept/ Atual Supersad) está reunindo a história desse época. Começou com uma comunidade no orkut chamada Guitar Bands Brasileiras, onde quer reunir o máximo de nomes e músicas gravadas desse período, como por exemplo, Pin Ups, Killing Chainsaw, Cigarretes, Low Dream, Second Come, Mickey Junkies, brincando de deus, Snooze, Pelv..s, entre outras. Como ele defende, "essas são bandas anos luz à frente de tudo que é consumido neste país".Vagner acredita que essas bandas foram injustiçadas na época, exatamente por estarem a frente de seu tempo. Talvez ele tenha razão, pensando até em algumas críticas musicais que saíram na época. Lembro-me perfeitamente de uma publicada na revista Bizz, onde José Emílio Rondeau (como esquecer??) mencionava que Pin Ups e Killing Chaisaw eram cópias de bandas como Jesus and Mary Chain e My Bloody Valentine. É lógico que eram, mas e daí? Não tínhamos nada parecido no Brasil sendo produzido com essas características. Elas mereciam respeito e admiração somente por estarem tocando músicas próprias - diferente da maioria dos grupos de rock existentes na época -, com qualidade e muita coragem de estarem desbravando algo totalmente novo no País. Foram eles que brigavam nas casas de shows para darem espaço às bandas de rock independente. Hoje temos diversos, diversos bares, boates, espaços, seja lá como for, onde a cena rocker predomina, seja por shows, por discotecagens, festivais, ou outros tipos de eventos...
Se o momento é de saudosismo e para celebrar... então celebremos! Eles merecem.
12:44

sábado, julho 26, 2008
Notícias do Wry - National Indie Hits
NATIONAL INDIE HITS (o próximo álbum do Wry) - por Mário
Os últimos dois anos e meio foram uma loucura na vida do Wry. Entre a gravação do álbum Flames in the Head, com Gordon Raphael e Tim Wheeler; a última turnê pelo Brasil; os shows na Inglaterra; a gravação do Whales and Sharks, que colocou o primeiro lançamento oficial do Wry em lojas da Inglaterra, Estados Unidos e Japão; os shows de lançamento desse mesmo CD e ainda as novas gravações de um outro álbum ainda por vir no ano que vem, conseguimos nas horas vagas durante todo esse tempo gravar um disco de covers em homenagem as bandas nacionais que nos influenciaram na segunda metade dos anos 90 até pouco antes de virmos a Inglaterra.
Bandas Nacionais que nos inspiraram a formar o Wry como Low Dream, Killing Chainsaw, Pin Ups, brincando de deus e Pelvs. E bandas que nos influenciaram no decorrer daqueles primeiros anos, até mesmo no começo dos anos 00, como Vellocet, Sonic Disruptor, Snooze, Astromato, Walverdes, MQN, Biggs e Space Rave. Não tivemos tempo suficiente para gravar também outras pérolas do underground como Tods, Red Eyes, Butchers, Blemish entre algumas outras que citarei mais para frente, num texto oficial.
Foram até agora sete anos de Brasil e sete anos de Inglaterra; desde o nosso primeiro show em Santos em junho de 1994, muito coisa legal aconteceu e muitas dessas bandas estavam participando também. A maioria não existe mais. NIH servira como um documento e ainda como fonte para nossos fans conhecerem quem foram os pioneiros de tudo isso, do indie nacional, chegando hoje a bandas como Wry, CSS, Vanguart, Ludovic, entre outras.
Foi ouvindo Precious Love da Low Dream que pintou a idéia de regravar todas essas músicas. Num dia de emoção, eu explodi em alegria quando essa luz brilhou em cima de minha cabeça.Pois bem, esse álbum está gravado, mixado e masterizado. Devemos acertar a data de lançamento muito em breve...