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terça-feira, 16 de julho de 2013

O dia em que falei com o Renato Russo - E quem era o Edson amigo dele?


Outro dia, nossa querida Nina Lemos publicou uma história sobre como ela entrevistou o Renato Russo com algumas mentirinhas. Na hora ri porque lembrei da minha história com uma pequena mentira também contada pra poder chegar perto dele. Afinal, Cazuza e Renato Russo eram os maiores ícones do rock no final dos anos 80 início dos 90, e neste ano tinha apenas 15 anos e muita vontade de falar com um “ídolo”. Entender suas músicas, e revoltar-se com o mundo da mesma forma como eles se revoltavam, era normal em mentes juvenis ávidas por rebeldia e descontentamento com a sociedade e mundo a sua volta. “Mãe, sua piscina está cheia de ratos”, lembro-me perfeitamente dizendo isso a minha mãe que estava desesperada por eu não ter chegado a tempo dos fogos de ano novo, não por culpa minha, mas por culpa de um trânsito infernal no trajeto Santos-Mongaguá. Foi lá que conheci um menino chamado Marcelo, lindo. Olhos verdes. Ariano (difícil, heim eu ficar com um ariano, talvez o único). Fiquei com ele, e uns dias depois ele e uns amigos muito bacanas perguntaram se iria ao show do Legião  em Campinas. Ele era de Itu e queriam muito ir.“Noooooossaaaa!!!! Quero muito ir”, falei. “Então está fechado. Posso convidar uma amiga que também ama Legião Urbana?”. Fomos todos. Era 10 de outubro de 1990. Tínhamos 15 anos e minha vida e a da Dani nunca mais seria a mesma. O show foi no ginásio do Guarani. Como éramos ainda novatas de shows, ficamos na arquibancada, que de certa forma, era perto também e tínhamos uma visão completa de tudo que se passava pelo palco. Lembro-me perfeitamente da camisa branca do Renato Russo, das rosas vermelhas, de como ele se contorcia no palco na cover de Sisters of Marcy, Jesus e outras que ele fez, e de alguém pisou no meu dedo. Nossa, como doeu. Meu colega Marcelo nos deixou em casa. Estávamoshipnotizadas. A única coisa que pensávamos era “precisamos conhecer esse cara”.Mas não pergunte por quê. Não sei... Coisas de adolescentes, que achavam que acabaram de encontrar seu salvador, provavelmente. Ainda mais que ele cantava Jesus, Sisters e Joy Division. Tínhamos acabado de ler uma reportagem sobre o Renato Russo na Veja, em que estava se declarando publicamente gay. Nela estava seu nome completo, o nome de sua mãe, e de seu pai, sabíamos, logicamente. Não foi difícil para duas garotas em não muita sã consciência sair caçando pela lista telefônica e serviços de auxílio à lista o telefone dos pais de Renato Russo. Achamos, depois de umas cinco tentativas. Conseguimos um telefone de Brasília e um da Ilha do Governador, locais onde a família possuía casa. Liguei.

“Alô, quem fala?”

“Quer falar com quem?”

“Queria falar com a Dona Carminha”.

“Dona Carminha, telefone pra senhora”.

Pronto. Lá estava feita a tentativa correta.

“Olá, Dona Carminha. Aqui é a Bia Abramo, da Bizz” – aqui está minha mentira para conseguir chegar ao Renato e desculpe, Bia, pelo uso de seu nome em vão. “Estou procurando pelo Renato para uma entrevista. A senhora sabe onde eu posso achá-lo?”.

Dona Carminha sempre foi muito gentil e educadíssima e atenciosa me explicou que o Renato estava morando em um apart no Rio, no Marina Palace.

Pronto. Lá se vai mais uns serviços de auxílio à lista, e pronto. Encontramos.

“Por favor, Renato Manfredini Júnior”.

“Um minuto, por favor”.

Nossa, passaram a ligação. O sangue corria por todas as parte do corpo. A adrenalina, percorria cada centímetro de minha boca. Só tive essa sensação três vezes com essa intensidade na vida – a primeira quando subi ao palco pela primeira vez para apresentar uma peça de teatro. A segunda quando desci uma onda perfeita em Itamambuca com uns 14 anos, e esta quando o telefone do quarto do apart do Renato Russo tocou e atendeu.

“Alô, quem é?”, uma voz de um garoto meio afeminada soou do outro lado.

“Oi, é a Márcia de São Paulo”, aqui não tinha mais porque ficar mentindo e falei quem era de verdade. “Eu queria falar com o Renato. Ele está aí?”.

“Renato, é a Márcia, sua amiga de São Paulo”.

“Renato, é a Márcia. Não sou sua amiga, mas tudo bem?”

“Tudo bem, e você? Quem é você?”.

“Eu e uma amiga minha, a Dani, gostamos muito de você. Fomos semana passada ao seu show e queríamos que você nos desse um conselho”. Com a cabeça completamente atordoa foi a primeira coisa que apareceu para tentar puxar conversa.

“Olha, eu estou saindo para ir a um show. Vai ser uma homenagem ao Cazuza, sabe? Mas faz o seguinte. Reza, Reza bastante”.

“Está bom. Obrigada. Vou rezar”. Quase não conseguia falar.

Na sequência, a voz que havia atendido primeiramente o telefone voltou a falar. “Então, a gente vai sair, mas depois a gente conversa, tá?”.

“Tá. Obrigada”.

A sala lá de casa era pequena para as rodadas que demos no chão de tanta alegria. Não nos contínhamos de ter conseguido falar com o Renato Russo, um “deus” para os adolescentes e jovens adultos na época, e que de certa forma, ele tinha sido educado e bacana.

Psicas como éramos, logicamente não parou apenas nesta ligação. No dia seguinte, lá estávamos nós novamente, tentando falar com ele. Conseguimos falamos com ele, e depois com seu amigo e companheiro de apart hotel, o Edson, que nos atendeu feliz e nos contou como havia sido a homenagem ao Cazuza. “Acho que ele gostou da gente”, pensávamos na época, uma vez que ao invés de ficarmos amiga de Renato Russo como gostaríamos, ficamos mesmo amigas de seu amigo Edson.

Nós ligávamos, ele nos atendia e conversávamos minutos e minutos, ele nos mostrava gravações de shows, um do Jockey, eu lembro bem... ou seja de 30 a 60 minutos, em média, tempos que foram suficientes para vir contas absurdas de telefone e termos que vender nossas roupas para pagá-las e escondê-las de nossos pais. Mas éramos muito inteligentes, como o próprio Renato disse – “Vocês são muito espertas, heim, meninas”. Depois do dia em que contamos a ele como havíamos conseguido seu telefone, nunca mais o nome Manfredini contou no serviço de informações 102. Talvez não éramos tão espertas assim... não deveríamos tê-lo contato nossa estratégia. Mas o fato é que falamos com Renato mais umas duas ou três vezes. Com Edson era quase todos os dias. Em 23 de outubro de 1990, seu aniversário, ele nos contou:

- Hoje é meu aniversário. Estou fazendo 21 anos”, e todo feliz comentou que Renato havia lhe dado um presente. “Ele me deu um sapato super bonito”. Não sabíamos ao certo que tipo de relacionamento existia entre eles. Também não nos importávamos com isso. O que o Edson nos contou é que eles haviam se conhecido num supermercado. Não me lembro ao certo se ele era empacotador, ou empurrava carrinhos. Também não sabemos se a história era verdadeira. Mas o Ed, como nós o chamávamos, passou a nos ligar com uma certa frequência também. A partir daí não conseguimos mais falar com Renato, e conversávamos apenas com seu amigo. Até que um dia, ele nos liga, a cobrar de alguma cidade do Nordeste, acho que estava em Recife, dizendo que estava em uma turnê do Legião Urbana e que iria nos ligar na volta, quando chegasse em Cumbica (SP). Os locais eram verdadeiros, afinal na conta do telefone ficaram todas registradas as ligações a cobrar. “Vou descer em Cumbica e depois vou até Campinas. Quero visitar vocês”. Não sabíamos se ficávamos felizes ou tristes. Mas, aos 15 anos, sem nenhuma experiência, morremos de medo do que poderia vir pela frente. E bem ou mal, minha mãe, Lenir, que já estava ficando íntima do Ed também, de tanto que ele ligava não deixou mais que atendesse às ligações dele à cobrar. Isso que ela nem sabia que ele estava vindo para Campinas. Ele chegou em Cumbica e ligou...

Não atendemos. Minha mãe não deixou eu falar. A partir daí não sabemos mais o que lhe aconteceu... ele sumiu. O Renato também sumiu. Ligamos várias vezes para Hotel Marina e nada. Ligamos para sua mãe e nada. Chegando o Natal, pensamos “ele deve fazer uma visita à mãe”. Ligamos e ele nos atendeu...

- Oi, Renato. Tudo bem? A gente queria saber se você está bem e saber o que aconteceu com o Edson...do outro lado, uma voz brava e exaltada:

- Não sei! O Edson morreu! Não me liguem mais.
 

Acabara de receber um fora de Renato Russo. Lógico, não lhe procuramos nunca mais. Não sabíamos ainda na época que ele estava com AIDS. Mas depois ficamos sabendo que a notícia lhe veio bem neste período, e ficamos nos perguntando se o Edson realmente havia morrido ou se foi uma desculpa que o Renato achou para nós. Até hoje gostaríamos de saber onde ele foi parar. Perguntei em 2011, ao Dado (O Villa-Lobos) se ele sabia do Edson, mas ele não se lembrava...

Mas ainda gostaria de saber o que aconteceu com ele. Espero se alguém ler este post possa nos explicar quem foi e o que aconteceu com o Edson depois de novembro de 1990. Rezemos, rezemos bastante! ;)

 

 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Entrevista com Wayne Hussey (The Mission): “Tem sido muito bom ouvir as músicas com o tom original novamente”

Foto: Cinthya Hussey
Por Márcia Raele

Piracicaba sempre foi muito quente, mas aquele dia parecia
que o sol estava ainda mais perto de nós. Um antigo engenho construído no
século XIX às margens do rio – hoje um patrimônio histórico e cultural da
cidade – foi o local escolhido por Wayne Hussey, vocalista do The Mission (UK),
para nossa entrevista, na terça-feira de Carnaval. O grupo, que está celebrando
seus 25 anos, fará show em São Paulo no dia 27/05, e talvez na região de
Campinas (Red Eventos – Jaguariúna) e Curitiba, em datas a serem confirmadas. Wayne
está morando no Brasil já há alguns anos – é casado com uma brasileira – e,
apesar de um pouco mais velho, não perdeu o estilo rocker com diversos brincos
na orelha, calça jeans, camiseta preta e seu tradicional óculos escuro.
Após 50 anos de idade, disse que fez sua primeira tatuagem: uma patinha de
cachorro e o nome Babi, uma Cocker Spaniel de sua esposa. “Ela era cega por causa
do diabetes e eu adorava jogar futebol com ela porque eu sempre ganhava”,
comenta sorrindo. “Mas ela faleceu há três anos”. Passeando por galpões em
ruínas e a ponte sobre o rio Piracicaba, conversamos sobre os próximos shows na
América Latina e também sobre algumas curiosidades que eu tinha sobre eles há
cerca de 25 anos.

Quais suas expectativas sobre os próximos shows aqui na América do
Sul?

Wayne Hussey – As turnês na América do Sul são sempre muito
loucas e cheias de eventos interessantes e acontecimentos inesperados. Mas o público
é sempre maravilhoso. A última vez que fizemos show aqui no Brasil foi em 2002,
e por isso estamos bem ansiosos.

Essa turnê é para celebrar os 25 anos da banda, certo? Qual a diferença
de tocar hoje em relação a quando vocês começaram em 1986?

Wayne Hussey – Antes eu tinha mais cabelo e menos corpo [risos]. Em 1986, não imaginávamos chegar aos 25 anos de história. As músicas da época eram bem diferentes, tínhamos recursos diferentes. Mas nunca pensamos em viver este momento, o que é uma grande emoção.

E a emoção do público nos shows do The Mission, continua igual?
Wayne Hussey – É sempre grande. Mas não que o público tenha
aumentado em todos esses anos, não temos um público novo. O que aconteceu é que
nosso público foi crescendo com o The Mission.

E uma curiosidade minha: por que The Mission? Existe algo religioso em
tudo isso, algum recado a ser dado ou uma “missão”?

Wayne Hussey – Não exatamente. Mas certamente se você me
perguntasse isso naquela época eu iria inventar algo, porque era como minha
cabeça funcionava naquele tempo. Mas, uma das coisas que aprendi com os anos,
foi que as coisas não precisam de respostas. As músicas que cantava eram sobre
situações e o que eu sentia naquele exato momento, mas não que existisse uma
razão ou algum recado a ser dado.

E o símbolo do The Mission [espécie de cruz com símbolos de infinito
entrelaçados], tem algum significado especial?

Wayne Hussey – Eu roubei dos franceses. Os ingleses não gostam muito dos franceses, então eu roubei o símbolo dos franceses [risos].Este era um símbolo que tinha em cima do chapéu da guarda civil francesa, aquela que costuma salvar as pessoas de enchentes.

Você queria salvar alguém?
Wayne Hussey – Talvez, eu mesmo.

Voltando aos shows, o que o público pode esperar? Já existe um set list
definido?

Wayne Hussey – Ainda não, mas sabemos que o público quando vai aos nossos shows querem ouvir os sucessos, como Severina, Tower Of Strength, Butterfly on Wheel.
Sempre existem as músicas novas a serem tocadas, mas pela nossa experiência,
sabemos que se não tocarmos os sucessos as pessoas fogem para o bar.

Desde quando o The Mission voltou a tocar com a formação original, e
como tem sido?

Wayne Hussey – Começamos em outubro de 2011 [iniciaram a
turnê pela Europa], para a celebração dos 25 anos da banda, e tem sido muito
bom. Ao longo dos anos, eu deixava os músicos convidados bem à vontade para
tocarem dentro dos seus estilos, e agora com a nossa formação tem sido muito
bom ouvir as músicas com o tom original novamente.

E é difícil morar no Brasil e ter o resto da banda em outro país?
Wayne Hussey – Não. Hoje, pelas facilidades da Internet é
muito tranquilo. Há pouco tempo fiz uma gravação inteira de um álbum com
Julianne Regan [ do All About Eve ] totalmente via e-mails.

Conte-me um pouco sobre esse projeto com a Julianne, chama-se
Hussey-Regan, certo?

Wayne Hussey – Julianne e eu nos conhecemos há muitos anos,
desde o tempo do disco God’s Own Medicine [ela é a voz feminina de Severina],
então acho que seria natural que um dia fizéssemos algum trabalho juntos. E foi
bem natural mesmo, sem pressões de prazo. Muito gostoso.

E podemos esperar um novo trabalho do The Mission?
Wayne Hussey – Bem... nós estamos pensando a respeito para o
próximo ano. Mas por enquanto é só isso, um pensamento. Não queremos firmar
planos, mas estamos gostando muito dessa ideia de tocarmos juntos novamente, e
se continuar assim acho que será natural gravarmos um novo álbum. Vamos ver...

[Mais sobre o The Mission abaixo e em themissionuk.com ou The Mission XXV,São Paulo,Brasil]


Deuses ou Homens?
Temos um estranho comportamento de endeusarmos alguns tipos
de artistas. Os cantores são um deles, ainda mais se forem internacionais e com
alcance de público imenso. Isso aqui no Brasil toma, às vezes, proporções
exageradas devido à nossa cultura mais amorosa e calorosa em sentimentos. Mas
esquecemos que atrás de poses, vozes, interpretações existem pessoas como outra
qualquer, talvez apenas um pouco mais famosa ou rica. Não me excluo desse
sentimento e sempre tive grande admiração – e por que não “embasbacamento”– por
muitos grupos/cantores de rock. O The Mission é um deles, o qual conheci quando
tinha 12 anos apresentado por meu irmão Du (sempre ele): “Tina, esse é o The
Mission. O vocalista e o baixista saíram do Sister´s Of Mercy e montaram o The
Mission”.
Pronto! Foi o suficiente, principalmente após ouvir
Severina, Tower of Strenght e Wastland, para fazer uma ligação maluca em minha
cabeça - irmãos da misericórdia, a
missão, God´s on Medicine (nome do primeiro disco) – de algo realmente divino
no sentido literal ou simplesmente por ser muito bom. Real ou não, intencional ou não, suas
músicas, vestes e símbolos sempre foram uma referência para mim. E hoje, 25
anos depois, tive a grata oportunidade de rever alguns detalhes sobre tudo
isso, ou pelo menos matar algumas curiosidades, como “qual o significado do
símbolo do The Mission?”, “Por que The Mission?”. Não que a resposta dada tenha
mudado algo em meus sentimentos por suas músicas, mas ouvir da boca da própria
pessoa que a criou foi algo bastante esclarecedor. Afinal, não estamos mais em
1986, e não tenho mais os sonhos da época. Mas pude encontrar com alguém que
fazia parte deles, e ver que ele é uma pessoa real. Talvez ele possa representar um elo entre nós e Deus (afinal ele é um cantor, e não é essa a função original da música?), quem sabe?
Aqueles que irão às apresentações que o Mission fará
no Brasil – já confirmada a de São Paulo, no dia 27/05, no Cine Joia – com certeza
dividirão esse mesmo sentimento. Um dos ícones da geração gótica nos anos 80, a
banda sempre arrastou multidões por onde passava pelo mundo. Hoje, sem tantas vestes
pretas e com cabelos mais curtos e grisalhos, Wayne Hussey, Graig Adams e Simon Hinkler deverão fazer um show de celebração. Afinal, são 25 anos de banda, fato que, como o próprio vocalista comentou, não esperava acontecer. “É uma grande emoção. Não imaginávamos chegar até aqui. Está sendo muito bom ouvir as músicas com o tom original”.
Após uma conversa tranquila com ele e sua simpática esposa, não
pude deixar meu lado fã à parte e pedi um autógrafo para meu vinil God´s Own
Medicine (Remédio dos Deuses, que remete à morfina – santa morfina que tirou as
dores da minha cesárea : ) ). Não sei se foi apenas para fazer uma alusão ao
contexto do disco, (cheio de dizeres sobre fé) ou não, mas Wayne escreve: “Márcia,
mantenha a fé”.

A fé está mantida e a tempestade que caiu logo após nos
despedirmos comprovou tudo isso para mim.

domingo, 5 de abril de 2009

Entrevista Wry | Novos discos e de volta ao Brasil

Esta entrevista já era para estar publicada aqui há algum tempo, mas por motivos de forças do espaço não foi possível... agora segue pra vocês algumas palavras de Mário, vocalista do Wry, sobre os novos trabalhos e sobre alguns dos próximos projetos da banda que está de volta ao Brasil, dessa vez para ficar.

Primeiro, gostaria de saber como foi gravar o National Indie Hits, as novas músicas dos novos discos e também como foi interpretar Jesus and Mary Chain na coletânea do Club AC30...
Gravar o NIH foi maravilhoso, porém turbulento, coisa louca. Primeiro que começamos ele com a bateria do Renato sendo gravada em dois dias, pois na segunda seguiríamos para o Brasil pra turnê Wry em Chamas, do Flames in the Head. Depois voltamos pra Inglaterra e o Renato por motivos particulares teve que deixar a banda e logo receberíamos convites pra fazer uns shows maiores com bandas famosas de lá e por isso, entrou na banda o André. Com ele já começamos a fazer Whales and Sharks o EP que fez a gente assinar com a ClubAC30 de lá e logo em seguida já começamos a compor todos esses que ainda saem este ano de 2009 por aqui.
No meio de tudo ainda arrumamos um tempinho pra se dedicar ao National Indie Hits. Foi um parto duríssimo, mas valeu a pena. Em outubro vocês poderão ter a oportunidade de ouvi-lo.
Mas a maior parte do tempo era principalmente dedicada aos lançamentos inéditos: Whales and Sharks, She Science e The Long-Term Memory of an Experience que foi quando usamos tudo que aprendemos e juntos com a experiência de Jon Hassuike, nosso produtor, fizemos belas músicas, as quais vocês podem ouvir metade pela internet, em qualquer site onde encontre Wry
[http://wrynow.blogspot.com/
http://www.myspace.com/wrymusic
http://pt.wikipedia.org/wiki/Wry]

Do NIH tem alguma música em especial que você desde o início do projeto tenha pensado "esta tem que entrar de qualquer jeito"? Vocês tiveram que correr atrás de direitos autorais para poder gravar ou as bandas liberaram sem problemas?
Quem está correndo atrás dos direitos autorais é o Leo Bigode, da Monstro. Quanto às músicas, todas tivemos um carinho super especial. O que posso dizer é que Precious Love da Low Dream foi a música que inspirou a fazer toda a compilação, então ela não poderia faltar.

Dos discos novos, o que podemos esperar? Quando devem sair? Quem está produzindo?
Quem produz é o Jon, eu e Luciano (guitarrista do Wry). She Science sai agora e The Long-Term Memory of an Experience sai em julho. Podem esperar músicas mais lindas com muita melodia e emoção. É a tradução perfeita da saudade e das expectativas da volta ao Brasil misturadas com minha paixão pelas coisas importantes da vida como o amor e a Ciência.

Por que resolveram voltar para o Brasil? E me explique melhor o que é essa paixão pela Ciência.
Estava na hora. Estava lindo por lá, estávamos nos dando bem. Tínhamos nossa noite que virou legal, inclusive agora a Goonite Club acontece em quatro bares de Londres, mas passamos a bola para Márcio Custódio, nosso grande amigo de lá. Além de tudo isso, tínhamos trabalhos legais e relacionados a música. Fazíamos o que fazíamos aqui, mas a proposta era ficar cinco anos e não tenho o costume de fugir dos planos que traço.
Sobre a Ciência, já faz um bom tempo que a única revista que compro é a American Scientist. Adoro principalmente saber das notícias da Astronomia, adoro o espaço e sua imensidão. Adoro ler sobre cientistas e livros que costumo gostar de ler são tipo: Zen and the Art of Motorcycle Maintenance: An Inquiry into Values ou A Short Story of Nearly Everything escritas por pessoas que não são cientistas, mas são entusiastas do assunto. Sou novo nisso, não sei nada, mas eu adoro olhar pro céu por horas e horas e horas...

E quais os planos daqui em diante...
Pretendemos tocar bastante e voltar a organizar festivais e shows na cidade de Sorocaba. Quero também fazer shows beneficentes com o Wry. Outro plano é trazer um público diferente pra conhecer o trabalho da gente.

Foto by Stuart Nicholls (Rockarchive.com)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Celebração

Os dois textos abaixo foram postados lá no meu myspace (www.myspace.com/donezine) em julho, mas reproduzo aqui também...


sábado, julho 26, 2008
Guitar Bands Brasileiras
Acho que estamos em período de comemoração. Lendo a notícia aí de baixo - a do National Indie Hits do Wry - me faz lembrar que há exatos 16 anos (foi de 25 para 26 de julho de 1992) eu assistia a meu primeiro show do Pin Ups, em Santos também.É um momento de saudosismo, sim. Mas talvez mais do que isso, de homenagem a um importante momento da história rock independente do Brasil. Como o Mário, frisou, importante saber os primeiros que vieram e abriram as portas para que hoje possa existir uma cena muito mais organizada e estruturada.Na mesma linha, Vagner Souza (ex-Concept/ Atual Supersad) está reunindo a história desse época. Começou com uma comunidade no orkut chamada Guitar Bands Brasileiras, onde quer reunir o máximo de nomes e músicas gravadas desse período, como por exemplo, Pin Ups, Killing Chainsaw, Cigarretes, Low Dream, Second Come, Mickey Junkies, brincando de deus, Snooze, Pelv..s, entre outras. Como ele defende, "essas são bandas anos luz à frente de tudo que é consumido neste país".Vagner acredita que essas bandas foram injustiçadas na época, exatamente por estarem a frente de seu tempo. Talvez ele tenha razão, pensando até em algumas críticas musicais que saíram na época. Lembro-me perfeitamente de uma publicada na revista Bizz, onde José Emílio Rondeau (como esquecer??) mencionava que Pin Ups e Killing Chaisaw eram cópias de bandas como Jesus and Mary Chain e My Bloody Valentine. É lógico que eram, mas e daí? Não tínhamos nada parecido no Brasil sendo produzido com essas características. Elas mereciam respeito e admiração somente por estarem tocando músicas próprias - diferente da maioria dos grupos de rock existentes na época -, com qualidade e muita coragem de estarem desbravando algo totalmente novo no País. Foram eles que brigavam nas casas de shows para darem espaço às bandas de rock independente. Hoje temos diversos, diversos bares, boates, espaços, seja lá como for, onde a cena rocker predomina, seja por shows, por discotecagens, festivais, ou outros tipos de eventos...
Se o momento é de saudosismo e para celebrar... então celebremos! Eles merecem.
12:44

sábado, julho 26, 2008
Notícias do Wry - National Indie Hits
NATIONAL INDIE HITS (o próximo álbum do Wry) - por Mário
Os últimos dois anos e meio foram uma loucura na vida do Wry. Entre a gravação do álbum Flames in the Head, com Gordon Raphael e Tim Wheeler; a última turnê pelo Brasil; os shows na Inglaterra; a gravação do Whales and Sharks, que colocou o primeiro lançamento oficial do Wry em lojas da Inglaterra, Estados Unidos e Japão; os shows de lançamento desse mesmo CD e ainda as novas gravações de um outro álbum ainda por vir no ano que vem, conseguimos nas horas vagas durante todo esse tempo gravar um disco de covers em homenagem as bandas nacionais que nos influenciaram na segunda metade dos anos 90 até pouco antes de virmos a Inglaterra.
Bandas Nacionais que nos inspiraram a formar o Wry como Low Dream, Killing Chainsaw, Pin Ups, brincando de deus e Pelvs. E bandas que nos influenciaram no decorrer daqueles primeiros anos, até mesmo no começo dos anos 00, como Vellocet, Sonic Disruptor, Snooze, Astromato, Walverdes, MQN, Biggs e Space Rave. Não tivemos tempo suficiente para gravar também outras pérolas do underground como Tods, Red Eyes, Butchers, Blemish entre algumas outras que citarei mais para frente, num texto oficial.
Foram até agora sete anos de Brasil e sete anos de Inglaterra; desde o nosso primeiro show em Santos em junho de 1994, muito coisa legal aconteceu e muitas dessas bandas estavam participando também. A maioria não existe mais. NIH servira como um documento e ainda como fonte para nossos fans conhecerem quem foram os pioneiros de tudo isso, do indie nacional, chegando hoje a bandas como Wry, CSS, Vanguart, Ludovic, entre outras.
Foi ouvindo Precious Love da Low Dream que pintou a idéia de regravar todas essas músicas. Num dia de emoção, eu explodi em alegria quando essa luz brilhou em cima de minha cabeça.Pois bem, esse álbum está gravado, mixado e masterizado. Devemos acertar a data de lançamento muito em breve...